Estresse pós-traumático e pandemia

20 de outubro de 2021

O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) decorre de uma vivência traumática extrema, relacionada ao risco de vida iminente do próprio indivíduo afetado ou de outros muito próximos. É caracterizado pelo aparecimento de sintomas emocionais, comportamentais e psíquicos que causam extremo sofrimento e incapacidade ao indivíduo, afetando gravemente diversos aspectos de sua vida: desde o trabalho, até relacionamentos interpessoais e sociais.

Falar sobre esse transtorno no cenário de pós-pandemia é muito importante, pois muitas pessoas que adoeceram com o COVID, aqueles que perderam entes queridos e profissionais que presenciaram a morte de muitos pacientes podem, nesse momento, estar sofrendo com os sintomas do TEPT. A circulação de informações a respeito de como diagnosticar e tratar o TEPT é importante para que se desconstruam os tabus e os estigmas que cercam os transtornos mentais, para ser possível ajudar aqueles que necessitam.

Quais são os sintomas do transtorno de estresse pós-traumático?
Existem quatro categorias de sintomas que caracterizam o transtorno de estresse pós-traumático.

transtorno de estresse pos traumatico

Sintomas intrusivos
São os episódios nos quais um evento é retomado repetidamente e incontrolavelmente pelo indivíduo: flashbacks, memórias involuntárias que causam perturbação, sonhos ruins e outros que produzem sofrimento psicológico e físico, como se o momento do trauma estivesse acontecendo novamente.

Sintomas de esquiva
Aqueles caracterizados por um comportamento evasivo, de fuga de qualquer coisa que relembra o trauma. Por exemplo, evitar tocar ou pensar no assunto, ou até mesmo qualquer memória, lugar, atividade ou pessoa relacionada ao episódio.

Sintomas negativos sobre pensamento e humor
Depressão, amnésia dissociativa, pessimismo, isolamento e fobia social, e outros sintomas que geram culpa, medo, raiva e tristeza.

Sintomas de alteração nas reações e no estado de alerta
Pessoas que sofrem com o transtorno de estresse pós-traumático costumam ser mais reativas e ter sentimentos mais intensos, são mais propensas à irritabilidade e à impaciência, o que muitas vezes pode desencadear uma certa agressividade. Ainda, o processo de reviver a experiência do trauma de forma incontrolável também causa dificuldades na concentração e na execução de tarefas diárias, além de uma rotina de sono desregulada.

É importante lembrar que o diagnóstico sempre deve ser feito por um médico especialista.

Podemos considerar a pandemia por covid-19 como um fator desencadeador do TEPT?
Existem algumas causas comuns e mais conhecidas que desencadeiam o TEPT como, por exemplo, guerras, experiências de quase morte ou risco de vida, agressões físicas e/ou sexuais, desastres naturais e outros eventos que acionam os gatilhos do medo, horror e desamparo. O efeito destes eventos pode ser mais ou menos duradouro, e isso depende de cada indivíduo, se a pessoa está fazendo tratamento ou não e de vários outros fatores.

Podemos, sim, considerar que a pandemia do coronavírus foi (e ainda é) um problema que levou ao desenvolvimento de vários sintomas de estresse pós-traumático nas pessoas. Com mais de um ano de enfrentamento da covid-19, o isolamento social e tantas mortes, é natural que essa seja considerada uma experiência extremamente traumática.

Um exemplo de categoria que pode manifestar algumas das características típicas do TEPT são os profissionais da saúde que, durante o cenário mais intenso da pandemia, enfrentavam diariamente rotinas absurdamente desgastantes. Outro exemplo são pacientes que foram internados nas unidades de terapia intensiva por covid-19 (em alguns casos, por meses), se recuperaram, porém tiveram sintomas do TEPT após saírem do hospital. São cada vez mais comuns relatos de pessoas que passaram muito tempo internadas ou que se sentiram muito próximas de perder a vida que manifestam sintomas do transtorno.

Assim como outros episódios de TEPT que não têm nada a ver com a pandemia, o tratamento nestes casos também inclui psicoterapia e o uso de medicação, e deve ser sempre orientado por especialistas.

 

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