Compulsão alimentar

23 de novembro de 2021

Uma compulsão, seja ela de qualquer natureza, é basicamente o impulso irresistível e incontrolável de fazer algo ou de se comportar de determinada maneira. A compulsão alimentar, como diz o nome, é um distúrbio alimentar caracterizado pelo desejo incontrolável na ingestão de alimentos, ou seja, a pessoa se alimenta excessivamente, sem controle, em grandes quantidades, mesmo quando está sem fome. Mas, sabendo que todo mundo exagera na comida de vez em quando, quais são os limites entre o exagero e a compulsão alimentar?

Nem sempre comer demais é sinal de compulsão
Quem nunca exagerou na comida que atire a primeira pedra. Nas festas de final de ano ou no almoço de domingo na casa dos avós, podemos combinar aqui, entre nós, que dar uma escorregadinha de vez em quando, em episódios isolados, é algo considerado dentro da normalidade e, por isso, não caracteriza uma compulsão alimentar propriamente dita. Contudo, quando esse comportamento se torna mais presente no dia a dia, merece um sinal de alerta.

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Sinais para se atentar
Quando a comida vira vício e causa dependência, o indivíduo começa a se alimentar compulsivamente de vez em quando e alguns comportamentos se tornam evidentes. Alimentar-se mesmo sem fome e de maneira acelerada (comer rápido), continuar comendo mesmo depois de já estar saciado, comer escondido, sentimentos de tristeza e culpa após a ingestão dos alimentos e outros são sintomas que valem uma atenção especial. Não é necessário que esse comportamento se manifeste em todas as refeições; mesmo que isso ocorra de forma episódica, vale a pena procurar um especialista quando notar que esses sinais aparecem de forma mais cotidiana.

Causas e como tratar
As raízes da compulsão alimentar podem ser emocionais e ou ainda o transtorno pode ser desencadeado por outras questões de saúde mental, como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Existe uma região no nosso cérebro que é responsável pela fome e pela saciedade, e diversos fatores podem comprometer o equilíbrio desse sistema. A questão aqui é que a comida passa a ser um alívio para sentimentos considerados ruins, uma fuga e, assim como as drogas, uma fonte de prazer imediato sem responsabilidade alguma.

Além disso, outros fatores podem impulsionar o distúrbio, como questões hormonais e dietas restritivas. E as consequências podem ser de grande impacto e desencadear até mesmo outros distúrbios alimentares como a bulimia, numa tentativa de “compensar” ou até mesmo “balancear” o comportamento compulsivo. Isso sem falar do ciclo depressivo, da insatisfação com o corpo e do ganho de peso.

Mas vamos com calma: a compulsão alimentar tem tratamento e não precisa virar uma bola de neve. O acompanhamento deve ser feito com uma equipe multidisciplinar de especialistas como um psicoterapeuta, um nutricionista e um psiquiatra (pois, muitas vezes, o tratamento pode requerer o uso de medicação). Assim como em qualquer outro transtorno, o apoio da família e amigos é essencial. Rodas de conversa, grupos terapêuticos e fóruns para trocas de experiências podem ajudar – e muito.

 

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